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RAG para empresas: assistente que responde com seus documentos

O que é RAG, como montar um assistente que responde com os documentos da empresa, quanto custa por pergunta, cuidados com permissão e LGPD e quando não usar.

autoria
SDI
publicado em
leitura
10 min

RAG é a técnica que permite a um assistente responder com base nos documentos da sua empresa (manuais, políticas, contratos-modelo, perguntas frequentes) em vez de responder só com o que o modelo aprendeu na internet. O sistema busca os trechos relevantes, entrega ao modelo de linguagem e pede uma resposta que cite a fonte. Com os preços de outubro de 2026, o custo por pergunta fica em frações de centavo a alguns centavos de real; o trabalho está em preparar a base e medir a qualidade.

Fluxo de um assistente com RAG: indexação dos documentos em trechos, embeddings e banco vetorial; e consulta, em que a pergunta busca os trechos liberados para o usuário e o modelo responde citando a fonte

O que é RAG, em uma resposta #

RAG (Retrieval-Augmented Generation, geração aumentada por recuperação) junta uma busca nos seus documentos com um modelo de linguagem. A cada pergunta, o sistema encontra os trechos mais relevantes e pede ao modelo que responda usando apenas esses trechos. O modelo não é treinado de novo, e atualizar o conhecimento é atualizar os documentos.

Três consequências práticas dessa arquitetura:

  • A resposta pode citar a fonte. Como o sistema sabe de quais trechos tirou a resposta, mostra o documento e a seção. Quem pergunta consegue conferir.
  • Atualizar é simples. Trocou a política de devolução? Reindexa o documento novo, e a próxima resposta já usa a versão certa.
  • Dá para controlar quem vê o quê. Cada trecho guarda a permissão do documento de origem, e a busca só devolve o que o usuário pode ler.

Casos de uso típicos em pequenas e médias empresas: atendimento interno de RH (férias, benefícios, políticas), suporte técnico de primeiro nível com base em manuais, consulta de procedimentos operacionais e respostas a clientes sobre produtos, prazos e condições.

Como funciona, passo a passo #

Um assistente com RAG tem duas etapas. Na indexação, os documentos são divididos em trechos, cada trecho vira um vetor numérico (embedding) e vai para um banco vetorial. Na consulta, a pergunta também vira vetor, o banco devolve os trechos mais parecidos, e o modelo de linguagem escreve a resposta com eles.

Etapa O que acontece Decisões que pesam na qualidade
Coleta Documentos saem das pastas, do drive ou do sistema de origem Quais fontes entram; quem é o dono de cada documento
Extração O texto é extraído de PDF, DOCX, planilhas e páginas PDF escaneado precisa de OCR; tabelas precisam virar texto legível
Divisão em trechos Cada documento vira trechos de algumas centenas de tokens Dividir por seção e título, não por número fixo de caracteres
Embeddings Cada trecho vira um vetor que representa o sentido do texto Modelo com bom desempenho em português
Banco vetorial Vetores ficam guardados com a origem, a data e a permissão Pode ser o próprio PostgreSQL com a extensão pgvector
Busca A pergunta vira vetor, e o banco devolve os trechos mais próximos Filtro de permissão; busca por palavra-chave junto (híbrida); reordenação (rerank)
Geração O modelo responde só com os trechos recebidos e cita a fonte Instrução para dizer “não encontrei” quando a base não tem a resposta

O ponto que mais diferencia um assistente útil de um frustrante não é o modelo de linguagem, e sim a preparação dos documentos: extração limpa, divisão por seção e remoção de versões antigas e duplicadas.

RAG, fine-tuning ou contexto longo #

São três formas de dar conhecimento da empresa a um modelo. RAG busca trechos a cada pergunta e serve para bases grandes e que mudam. Fine-tuning ajusta o modelo e serve para estilo e formato, não para fatos. Contexto longo envia os documentos inteiros a cada pergunta e serve quando a base é pequena.

Critério RAG Fine-tuning Contexto longo com cache
Tamanho da base De dezenas a milhares de documentos Não se aplica a fatos Até algumas dezenas de páginas
Atualizar um documento Reindexar o documento Treinar de novo Trocar o texto enviado
Cita a fonte Sim Não Sim, se instruído
Controle de acesso por usuário Na busca, por trecho Não Montando um contexto por perfil
Custo por pergunta Baixo (só os trechos relevantes) Baixo, mas com custo de treino Baixo com cache; alto sem cache
Complexidade Média: indexação, banco e busca Alta: dados de treino e avaliação Baixa

O contexto longo merece atenção porque costuma ser esquecido. Com cache de prompt, um conjunto de 50 páginas (cerca de 25.000 tokens) lido do cache custa cerca de US$ 0,00025 por pergunta no Claude Haiku 5.5 (preço válido para prompts de até 100 mil tokens), pela tabela da Anthropic de outubro de 2026, sem contar a gravação do cache, que é mais cara. Se a base é pequena e muda pouco, vale testar esse caminho antes de montar um RAG.

Quanto custa por pergunta e por mês #

O custo variável de um assistente com RAG é baixo: indexar alguns milhões de tokens de documentos custa centavos de dólar, e cada pergunta custa de frações de centavo a alguns centavos de real, conforme o modelo. O que pesa no orçamento é o servidor, a implantação e a manutenção da base de documentos.

Premissas (outubro de 2026):

  • base com 2.000 documentos de cerca de 2.500 tokens cada, ou 5 milhões de tokens;
  • cada pergunta envia ao modelo ~4.000 tokens de entrada (1.000 de instruções, 6 trechos de 500 tokens e a pergunta) e recebe 400 de saída;
  • 3.000 perguntas por mês;
  • câmbio de US$ 1 = R$ 5,10, sem cache de prompt e sem impostos.

Indexação (paga uma vez e de novo só para os documentos que mudarem):

Modelo de embeddings Preço por milhão de tokens Indexar 5 milhões de tokens
OpenAI text-embedding-3-small US$ 0,02 US$ 0,10
OpenAI text-embedding-3-large US$ 0,13 US$ 0,65
Voyage AI voyage-4-lite US$ 0,02 US$ 0,10 (dentro da franquia grátis de 200 milhões)
Voyage AI voyage-4 US$ 0,06 US$ 0,30 (dentro da franquia grátis de 200 milhões)

Fontes: preços da OpenAI e preços da Voyage AI, consultados em 27/10/2026. O embedding de cada pergunta (algumas dezenas de tokens) tem custo desprezível.

Geração da resposta:

Modelo de linguagem Entrada / saída por milhão de tokens Custo por pergunta 3.000 perguntas por mês
Claude Haiku 5.5 (menor; preço para prompts de até 100 mil tokens) US$ 0,10 / US$ 0,50 US$ 0,0006 ≈ R$ 0,003 ≈ R$ 9,18
Claude Sonnet 5.5 (intermediário) US$ 2 / US$ 10 US$ 0,012 ≈ R$ 0,06 ≈ R$ 183,60

Usamos a Anthropic como exemplo porque publica a tabela completa; para outros provedores, confira a tabela de cada um. Com o banco vetorial no próprio PostgreSQL, o servidor costuma ser o mesmo da automação (premissa: de R$ 60 a R$ 300 por mês, conforme a disponibilidade exigida). Se o assistente responde pelo WhatsApp, somam-se as tarifas da Meta, detalhadas em quanto custa um agente de IA para WhatsApp.

Permissões, LGPD e onde ficam os dados #

Um assistente com RAG só é seguro se respeitar as mesmas permissões dos documentos de origem e se a empresa souber para onde cada trecho viaja. Os trechos usados na resposta vão para o provedor do modelo, e os documentos inteiros passam pelo provedor de embeddings na indexação.

Cuidados que entram no projeto desde o início:

  • Permissão por trecho. Cada trecho guarda quem pode lê-lo, e o filtro é aplicado na busca, antes de o modelo receber qualquer texto. Instruir o modelo a “não mostrar” informação restrita não é controle de acesso.
  • Classificação dos documentos. Defina o que pode ir para provedores externos e o que não pode (dados pessoais sensíveis, dados de saúde, segredos comerciais). O que não pode fica fora da base ou é atendido por modelo executado no próprio servidor.
  • Política de cada provedor. Confira, na página do provedor e no contrato, se os dados enviados pela API são retidos, por quanto tempo, em que região são processados e se podem ser usados para treino.
  • Registro. Guarde quais perguntas foram feitas e quais trechos foram usados, com prazo de retenção definido, para auditar respostas erradas e atender pedidos de titulares.
  • Atualização e exclusão. Um documento removido da origem precisa sair do banco vetorial também. Isso vira uma rotina, não uma tarefa manual.

A adequação à LGPD depende do conjunto: base legal, contratos com operadores, controle de acesso, registro e retenção. Hospedar o banco vetorial no próprio servidor ajuda no controle, mas não resolve sozinho.

Como medir se o assistente responde bem #

A qualidade de um assistente com RAG se mede antes de liberar para os usuários, com um conjunto de perguntas reais e respostas esperadas. Sem esse conjunto, cada ajuste vira opinião, e um erro de extração ou de divisão de trechos só aparece quando alguém reclama.

Um roteiro de avaliação que funciona para começar:

  1. Reúna de 50 a 100 perguntas reais, tiradas do atendimento, do e-mail ou do RH, com a resposta correta e o documento de onde ela sai.
  2. Inclua perguntas sem resposta na base. O comportamento esperado é o assistente dizer que não encontrou, não inventar.
  3. Meça duas coisas separadas: se a busca trouxe o trecho certo (recuperação) e se a resposta usou corretamente esse trecho (geração). Erros de recuperação se corrigem nos documentos e na busca; erros de geração, nas instruções ou no modelo.
  4. Rode o conjunto a cada mudança de modelo, de divisão de trechos ou de documentos, e compare com a rodada anterior.
  5. Depois de liberar, registre as perguntas sem resposta e as respostas marcadas como erradas: elas mostram o que falta na base.

Quando não usar RAG #

RAG não é a ferramenta certa quando a resposta está num sistema estruturado, quando a base cabe inteira no contexto do modelo ou quando a pergunta exige cálculo exato. Nesses casos, consulta direta ao sistema, contexto longo ou uma regra programada respondem melhor e com menos peças para manter.

Situação Melhor caminho Por quê
“Qual o status do pedido 4521?” Consulta à API do ERP ou do e-commerce O dado está numa tabela e muda a cada minuto
“Quanto vendemos em setembro?” Relatório ou consulta ao banco de dados Exige soma exata, não texto parecido
Base com poucas páginas, que muda pouco Contexto longo com cache Menos peças: sem indexação e sem banco vetorial
Regra fixa (prazo, tabela de frete) Regra programada no fluxo Resposta determinística e testável
Documentos em constante mudança, em volume RAG É o caso para o qual a técnica existe

Na prática, muitos assistentes combinam os caminhos: RAG para políticas e manuais, consulta à API para pedidos e estoque, e regras fixas para prazos. Um orquestrador como o n8n decide qual caminho cada pergunta segue; veja o comparativo n8n vs Make vs Zapier vs Power Automate.

Como a SDI implanta um assistente com RAG #

A SDI começa por um recorte: uma área, um conjunto de documentos e um conjunto de perguntas de teste com critério de aceite. A base é preparada, o assistente é medido contra esse conjunto e só depois é liberado. Código, workflows, banco e credenciais ficam em nome da empresa.

Na automação com IA, automações com IA têm referência a partir de R$ 5.000, e a automação piloto, com um processo e até três integrações, parte de R$ 3.000; a manutenção parte de R$ 300 por mês. Valores de referência: cada atendimento é dimensionado após levantamento do escopo. Os custos de terceiros (modelo de linguagem, embeddings e servidor) são cobrados à parte, em nome do cliente.

Perguntas frequentes

O que é RAG?

RAG (Retrieval-Augmented Generation, ou geração aumentada por recuperação) é uma técnica em que o sistema primeiro busca os trechos relevantes nos documentos da empresa e depois pede ao modelo de linguagem que responda usando só esses trechos, citando a fonte. O modelo não é treinado de novo com os seus dados.

Quanto custa um assistente com RAG por mês?

O custo variável é baixo. Com as tabelas públicas de outubro de 2026 e as premissas do artigo, 3.000 perguntas por mês custam de cerca de R$ 9 a R$ 184 em modelo de linguagem, e indexar 5 milhões de tokens de documentos custa centavos de dólar. O peso maior está no servidor, na implantação e na manutenção da base.

RAG ou fine-tuning?

Para responder com base em documentos que mudam, RAG costuma ser a escolha: atualizar a base é reindexar o documento, e a resposta pode citar a fonte. Fine-tuning ajusta estilo e formato de resposta, mas não é uma boa forma de manter fatos atualizados.

Os documentos da empresa ficam expostos ao provedor do modelo?

Os trechos usados em cada resposta são enviados ao provedor do modelo e, na indexação, ao provedor de embeddings. Por isso é preciso conferir a política de uso de dados e o contrato de cada provedor, classificar o que pode ser enviado e, quando necessário, usar modelos executados no próprio servidor.

O assistente pode inventar respostas?

Pode, como qualquer sistema com modelo de linguagem. O risco diminui quando o assistente é instruído a responder só com os trechos recuperados, cita a fonte e diz que não encontrou quando a base não tem a resposta, e quando a qualidade é medida com um conjunto de perguntas reais antes de entrar em uso.

Sobre a SDI

Os artigos do blog são escritos pela equipe da SDI — Serviços Digitais Integrados e assinados pela empresa. Somos três sócios técnicos que projetam, documentam e mantêm redes, servidores, integrações e automações com IA para pequenas e médias empresas. Quando um sócio revisa a parte técnica, o nome dele aparece no topo do artigo.

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